{"id":10858,"date":"2014-09-26T16:05:27","date_gmt":"2014-09-26T19:05:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.creapb.org.br\/?p=10858"},"modified":"2014-09-26T16:05:27","modified_gmt":"2014-09-26T19:05:27","slug":"solo-brasileiro-agora-tem-mapeamento-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/solo-brasileiro-agora-tem-mapeamento-digital\/","title":{"rendered":"Solo brasileiro agora tem mapeamento digital"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.creapb.org.br\/noticia-destaque\/solo-brasileiro-agora-tem-mapeamento-digital\/attachment\/solos-brasileiros\/\" rel=\"attachment wp-att-10859\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-10859\" title=\"solos brasileiros\" src=\"http:\/\/www.creapb.org.br\/creapb-admin\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/solos-brasileiros.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"615\" \/><\/a><\/p>\n<p>O mapa digital de carbono org\u00e2nico dos solos brasileiros rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela Embrapa une modelagem matem\u00e1tica e conhecimentos levantados em campo para ajudar em diversos programas de conserva\u00e7\u00e3o de recursos naturais. Um dos benefici\u00e1rios imediatos ser\u00e1 o Programa Agricultura de Baixa Emiss\u00e3o de Carbono (ABC) do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento que poder\u00e1 utiliz\u00e1-lo para direcionar pr\u00e1ticas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa.<\/p>\n<div><\/div>\n<div>Executado pelas t\u00e9cnicas tradicionais, um levantamento similar custaria milh\u00f5es de reais e anos de trabalho. O novo sistema tem a vantagem de utilizar informa\u00e7\u00f5es ambientais dispon\u00edveis como dados a respeito de solo, relevo, material de origem, clima, associando-os a m\u00e9todos matem\u00e1ticos estat\u00edsticos para inferir informa\u00e7\u00f5es em locais n\u00e3o medidos.&#8221;No mapeamento digital de solos (MDS) usamos modelos matem\u00e1ticos e estat\u00edsticos para, com base nas informa\u00e7\u00f5es de solos existentes, predizer outras que n\u00e3o foram medidas, mas que est\u00e3o correlacionadas atrav\u00e9s das vari\u00e1veis ambientais que determinam a forma\u00e7\u00e3o dos solos&#8221;, diz a pesquisadora Maria de Lourdes Mendon\u00e7a Santos, da Embrapa Solos, pioneira nos trabalhos sobre mapeamento de solos no Brasil. &#8220;O mapeamento digital surge como ferramenta base para a tomada de decis\u00e3o sobre este recurso natural&#8221;, explica. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que o MDS oferece um vasto campo para a pesquisa e uma oportunidade para a pedologia brasileira que tem, pela frente, um enorme territ\u00f3rio a ser mapeado&#8221;, avalia o professor Alexandre Ten Caten, da Universidade Federal de Santa Catarina.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>O mapeamento digital<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Desde os anos 60 do s\u00e9culo passado a pedologia (estudo do solo no campo) tem a pedometria, palavra derivada das gregas pedos (solo) e metron (medida) como importante aliada. A partir daquela \u00e9poca, a uni\u00e3o entre a observa\u00e7\u00e3o do solo na natureza e a aplica\u00e7\u00e3o de modelos matem\u00e1ticos evoluiu muito ao unir o conhecimento pr\u00e1tico do pedol\u00f3go com os dados estat\u00edsticos e num\u00e9ricos da pedologia quantitativa desenvolvidos nos laborat\u00f3rios. Atualmente, a pedologia \u00e9 uma ci\u00eancia que depende das abordagens quantitativas e qualitativas o que exige a participa\u00e7\u00e3o de profissionais de diferentes \u00e1reas do conhecimento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A partir da d\u00e9cada de 80, com o advento da geoestat\u00edstica, as informa\u00e7\u00f5es sobre o solo foram se tornando mais precisas, passando a ajudar de maneira mais incisiva na tomada de decis\u00e3o. Naquela \u00e9poca, surgiu o mapeamento digital de solos (MDS) unindo geologia, geomorfologia e os fatores que influenciam na forma\u00e7\u00e3o do solo: clima, organismos, relevo, material de origem e tempo. Gra\u00e7as a ele existe a possibilidade de integrar o conhecimento t\u00e1cito dos ped\u00f3logos sobre as rela\u00e7\u00f5es solo-paisagem, e a automatiza\u00e7\u00e3o de processos via mapeamento digital de propriedades e classes de solos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O MDS tem grande import\u00e2ncia para responder \u00e0 demanda de informa\u00e7\u00f5es no desenvolvimento das atividades humanas. Entre elas, o manejo de solos na agricultura, a execu\u00e7\u00e3o de zoneamentos ambientais, manejo da \u00e1gua na paisagem e o planejamento de uso da terra.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em pa\u00edses com menor extens\u00e3o territorial, como a Dinamarca, o solo j\u00e1 est\u00e1 totalmente mapeado em \u00f3tima escala de detalhamento (1:5.000 ou maior). Mas n\u00e3o s\u00f3 os pa\u00edses de menor extens\u00e3o investem no tema. Os Estados Unidos, por exemplo, com extens\u00e3o territorial semelhante a do Brasil, possuem um detalhamento de seus solos da ordem de 1:10.000. &#8220;\u00c9 urgente que nosso Pa\u00eds invista no conhecimento maior de seus solos sob pena de ficar para tr\u00e1s em alguns desafios globais, como a seguran\u00e7a alimentar, a produ\u00e7\u00e3o de bionergia, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a pr\u00f3pria sustentabilidade da agricultura brasileira. N\u00e3o se pode planejar o uso da terra, realizar zoneamentos e definir pol\u00edticas p\u00fablicas para a agricultura, sem o conhecimento atualizado do recurso solo, que juntamente com a \u00e1gua, devem fazer parte da agenda brasileira de prioridades para o setor produtivo e ambiental&#8221;, completa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Essa afirmativa \u00e9 confirmada pelo professor Alexandre Ten Caten. &#8220;A informa\u00e7\u00e3o espacial sobre classes e propriedades de solos n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para a maioria das localidades do Brasil. O mapeamento digital, por meio das tecnologias ligadas \u00e0 geoinforma\u00e7\u00e3o, pode potencializar nossa capacidade em conhecer a distribui\u00e7\u00e3o espacial dos solos por possibilitar que um volume maior de informa\u00e7\u00f5es sobre os fatores de forma\u00e7\u00e3o do solo seja processado de forma r\u00e1pida e automatizada&#8221;, diz ele.\u00c9der Martins, pesquisador da Embrapa Cerrados, no Distrito Federal, aponta que para o futuro do MDS no Brasil, &#8220;\u00e9 necess\u00e1rio desenvolver pesquisas com abrang\u00eancia nacional. \u00c9 fundamental o estudo de ferramentas metodol\u00f3gicas e a cont\u00ednua forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos capazes de aplicar o MDS nas quest\u00f5es nacionais. Um dos desafios, por exemplo, \u00e9 o desenvolvimento de manejos do solo que permitam a captura de gases de efeito estufa, e para isso \u00e9 imprescind\u00edvel o conhecimento do comportamento do carbono em solos, o que o MDS pode responder&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Mapeamento global<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>No Pa\u00eds, o principal f\u00f3rum de debates sobre o assunto est\u00e1 na Rede Brasileira de Pesquisa em Mapeamento Digital de Solos (Rede MDS), coordenada pela Embrapa, no \u00e2mbito do CNPq.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O objetivo dessa Rede \u00e9 juntar os interessados no tema, a fim de avan\u00e7ar a pesquisa no assunto e elaborar projetos em parceria, com ampla abrang\u00eancia para o mapeamento dos solos. Atualmente, a Rede MDS conta com setenta membros de vinte institui\u00e7\u00f5es de ensino, pesquisa e extens\u00e3o rural nas cinco regi\u00f5es do Brasil.No exterior, o cons\u00f3rcio GlobalSoilMap.net \u00e9 o ponto de encontro dos estudiosos do assunto. Formada em 2009, a rede tem Lourdes Mendon\u00e7a no grupo coordenando as a\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina e Caribe. Participam tamb\u00e9m do cons\u00f3rcio institui\u00e7\u00f5es como a Universidade de Columbia (Estados Unidos), o Instituto Nacional de Pesquisa Agron\u00f4mica (INRA-Fran\u00e7a) e a Universidade de Sydney (Austr\u00e1lia).<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O cons\u00f3rcio alavancou as iniciativas no tema de forma global, propondo avan\u00e7os metodol\u00f3gicos, especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e a harmoniza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos, buscando produzir um novo mapa mundial de propriedades de solos, usando novas tecnologias e a uma boa resolu\u00e7\u00e3o. Esses mapas ser\u00e3o completados com op\u00e7\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o e funcionalidade para ajudar na tomada de decis\u00f5es em v\u00e1rios assuntos, tais como produ\u00e7\u00e3o de alimentos e erradica\u00e7\u00e3o da fome, mudan\u00e7a clim\u00e1tica e degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Infelizmente, Dinamarca e Estados Unidos s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Lourdes Mendon\u00e7a. &#8220;De forma geral, h\u00e1 uma escassez de dados de solos no mundo e, quando existem, s\u00e3o limitados, dispersos, desatualizados e dif\u00edceis de comparar. Essa necessidade e a crescente demanda por informa\u00e7\u00e3o sobre os solos t\u00eam alavancado o desenvolvimento do MDS&#8221;. Agora, para os estudiosos, o desafio maior vai ser o de sistematizar e entender os dados existentes e a eles adicionar os produzidos por novos sensores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Ano Internacional do Solo<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o recurso solo e sua import\u00e2ncia na agenda de desenvolvimento global, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) lan\u00e7ou em 2011, a Alian\u00e7a Global para o Solo (GSP, da sigla em ingl\u00eas).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Essa Alian\u00e7a possibilitou colocar o solo no centro dos di\u00e1logos globais, observando as necessidades nacionais e regionais, envolvendo institui\u00e7\u00f5es e comunidades locais para melhor se apropriarem do tema e catalisar a coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e investimentos em solos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para dar mais visibilidade ao assunto, as Na\u00e7\u00f5es Unidas declararam 2015, o Ano Internacional. FAO e GSP se encarregar\u00e3o das atividades ao redor do mundo em colabora\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses membros. O objetivo \u00e9 aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do solo para a seguran\u00e7a alimentar e sobre suas fun\u00e7\u00f5es essenciais para o funcionamento dos ecossistemas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>(Da Assessoria)<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mapa digital de carbono org\u00e2nico dos solos brasileiros rec\u00e9m-lan\u00e7ado pela Embrapa une modelagem matem\u00e1tica e conhecimentos levantados em campo para ajudar em diversos programas de conserva\u00e7\u00e3o de recursos naturais. Um dos benefici\u00e1rios imediatos ser\u00e1 o Programa Agricultura de Baixa Emiss\u00e3o de Carbono (ABC) do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento que poder\u00e1 utiliz\u00e1-lo para direcionar pr\u00e1ticas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa. 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