{"id":11967,"date":"2015-07-27T16:14:00","date_gmt":"2015-07-27T19:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.creapb.org.br\/?p=11967"},"modified":"2015-07-27T16:14:00","modified_gmt":"2015-07-27T19:14:00","slug":"valor-da-agua-transposicao-e-a-biodiversidade-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/valor-da-agua-transposicao-e-a-biodiversidade-possivel\/","title":{"rendered":"Valor da \u00e1gua, transposi\u00e7\u00e3o e a biodiversidade poss\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.creapb.org.br\/creapb-admin\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Meio_Geral1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-11968\" title=\"??????????????????????\" src=\"http:\/\/www.creapb.org.br\/creapb-admin\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Meio_Geral1.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"162\" \/><\/a>Dez anos. Este deve ser o ciclo da crise h\u00eddrica brasileira, iniciada em 2013. O per\u00edodo de uma d\u00e9cada de profundas adversidades pluviais, sobretudo em Estados como Cear\u00e1 e S\u00e3o Paulo, foi descrito pelo coordenador geral de projetos de apoio ao desenvolvimento da regi\u00e3o beneficiada, do minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, engenheiro agr\u00f4nomo Jos\u00e9 Luiz de Souza, ao participar da reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o Tem\u00e1tica Meio Ambiente, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Outro destaque da reuni\u00e3o foi a palestra do engenheiro civil Marcondes Moreira de Ara\u00fajo, analista pleno do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, sobre o Marco da Biodiversidade.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, o palestrante do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional anunciou ainda que 70% das obras da transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco j\u00e1 foram conclu\u00eddas e elas ser\u00e3o indispens\u00e1veis para a minimiza\u00e7\u00e3o dos efeitos da estiagem em diversos estados do Nordeste. Por meio de dados como as vaz\u00f5es defluentes de reservat\u00f3rios como Tr\u00eas Marias (MG) e Sobradinho (BA), ele considerou que, apesar de suas progressivas redu\u00e7\u00f5es, s\u00e3o fundamentais para a perman\u00eancia das metas de viabilidade da obra. \u201cJ\u00e1 estamos com 70% constru\u00eddo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cMas isso \u00e9 muito pouco divulgado, \u00e9 algo que tem que ser mais valorizado\u201d, considerou o conselheiro federal Romero Peixoto, que tamb\u00e9m sugeriu, em outro contexto, que o governo subsidie a transfer\u00eancia de investimentos para promover a revitaliza\u00e7\u00e3o de rios. \u201cN\u00e3o existe uma recupera\u00e7\u00e3o 100%, ent\u00e3o, o governo precisa oferecer incentivos\u201d.<\/p>\n<p>Acompanhado pelo assessor especial do ministro da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, Marco Cardoso, e pelo analista de infraestrutura do minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, Rafael Souza, o engenheiro agr\u00f4nomo Jos\u00e9 Luiz de Souza garantiu que, apesar de ser um Estado que conta com um conjunto de reservat\u00f3rios constru\u00eddos com conhecimento cient\u00edfico, \u201co Cear\u00e1 ter\u00e1 que restringir o uso de \u00e1gua para n\u00e3o atravessar um per\u00edodo de falta de \u00e1gua j\u00e1 em 2016\u201d.<\/p>\n<p>Ligado ao Departamento de Programas Estrat\u00e9gicos, da secretaria de Infraestrutura H\u00eddrica do minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, ele considerou que a crise h\u00eddrica vivenciada pelo pa\u00eds \u201cest\u00e1 levando a se buscar qual o valor da \u00e1gua\u201d. Ao que o engenheiro agr\u00f4nomo Ib\u00e1 dos Santos, experiente em a\u00e7\u00f5es ambientais no Sistema, afirmou ser a \u00e1gua \u201ct\u00e3o importante como o petr\u00f3leo\u201d.<\/p>\n<p>Para o conselheiro Jos\u00e9 Geraldo Baracuhy, \u00e1gua \u00e9 um tema de refer\u00eancia na agenda ambiental. \u201cPor isso, precisamos desenvolver uma agenda proativa, propositiva, onde possamos ser colaboradores dessa pol\u00edtica, partindo do princ\u00edpio de que nossa principal miss\u00e3o \u00e9 a fiscaliza\u00e7\u00e3o profissional. Uma hip\u00f3tese \u00e9 a de treinar fiscais em torno do que eles poderiam fiscalizar no campo de recursos h\u00eddricos, principalmente no manejo adequado das bacias hidrogr\u00e1ficas e ainda em reuso de \u00e1gua, entre outros&#8221;. Ele destacou ainda que &#8220;a natureza \u00e9 sublime no que diz respeito a sua propia gest\u00e3o&#8221;, afirmando que &#8220;o ciclo hidrico \u00e9 um princ\u00edpio natural e o dia que a sociedade aprender a recepcionar essa \u00e1gua quando precipita no solo, oriunda da chuva, e devolv\u00ea-la com qualidade ao meio, para novamente reiniciar o ciclo, teremos uma adequa\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. E essa fun\u00e7\u00e3o \u00e9 do engenheiro, do agronomo, do meterologista&#8230;&#8221;, sustentou o conselheiro, respons\u00e1vel pelo convite ao palestrante.<\/p>\n<p><strong>Cear\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Para Jos\u00e9 Luiz de Souza, \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma an\u00e1lise em torno do quadro atual do setor. \u201cO Estado mais organizado em termos de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos \u00e9 o Cear\u00e1, que tem uma hist\u00f3ria de 20, 25 anos de investimentos nessa \u00e1rea. Mas, em geral, no pa\u00eds, esse elemento \u00e9 ausente das pol\u00edticas p\u00fablicas do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Na verdade, nem tudo foi elogio \u00e0 pol\u00edtica h\u00eddrica do Estado que receber\u00e1 a Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia, entre 15 e 18 de setembro, sob o tema \u201cSustentabilidade: \u00e1gua, energia e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica\u201d. O representante do minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional afirma que, tamb\u00e9m ali, \u00e9 necess\u00e1rio reciclar os conhecimentos dos profissionais envolvidos com o tema. \u201cConstatamos que alguns desses gestores precisam voltar aos bancos das escolas para continuar a fazer recursos h\u00eddricos\u201d, diz.<\/p>\n<p>As palavras do gestor do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional foram acompanhadas tamb\u00e9m pelo presidente do Crea-CE, engenheiro civil Victor Frota Pinto. Ele destacou a lideran\u00e7a do Estado no gerenciamento da integra\u00e7\u00e3o de bacias. \u201cTeremos, durante a Soea, a participa\u00e7\u00e3o de um dos maiores respons\u00e1veis pelo sucesso da gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos do Estado, o engenheiro civil Hyp\u00e9rides Macedo\u201d, informou, sob a anu\u00eancia do palestrante, que tamb\u00e9m analisou a situa\u00e7\u00e3o de bacias hidrogr\u00e1ficas de outras regi\u00f5es, debru\u00e7ando-se principalmente sobre o Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>Novos crit\u00e9rios<\/strong><\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es devem dirigir-se para o ciclo de 10 anos, apontado pelo analista Rafael Souza, como um per\u00edodo que deve gerar consequ\u00eancias diretas sobre projetos ligados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o civil e \u00e0s obras de infraestrutura asf\u00e1ltica. \u201cOs governantes, sobretudo prefeitos, t\u00eam que compreender, junto \u00e0 sociedade, que \u00e9 necess\u00e1rio discutir temas como os asfaltamentos. Amanh\u00e3, se eles n\u00e3o cal\u00e7arem, eles talvez ganhem mais votos do que se asfaltarem sem esses novos crit\u00e9rios\u201d. Haver\u00e1 a necessidade de \u201cuma a\u00e7\u00e3o de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o valor da \u00e1gua, em todos os n\u00edveis\u201d, comentou o presidente do Crea-CE.<\/p>\n<p>O conjunto de poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es a serem aplicadas \u00e0s cidades envolve uma no\u00e7\u00e3o de desenvolvimento urbano diferenciada, na vis\u00e3o do analista de infraestrutura do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional. \u201c\u00c9 preciso buscar solu\u00e7\u00f5es mais eficientes n\u00e3o apenas para o uso, mas tamb\u00e9m para a pr\u00f3pria capta\u00e7\u00e3o de recursos h\u00eddricos\u201d. Rafael Souza acrescenta a necessidade de uma pol\u00edtica de Estado para o setor, envolvendo um cen\u00e1rio de revis\u00e3o do pre\u00e7o da \u00e1gua e da pol\u00edtica de res\u00edduos s\u00f3lidos.<\/p>\n<p>\u201cPassamos por uma escassez f\u00edsica, econ\u00f4mica e institucional\u201d, sugeriu Jos\u00e9 Luiz de Souza. O Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 desenvolvendo a\u00e7\u00f5es relacionadas ao Plano Nacional de Seguran\u00e7a H\u00eddrica, ligado ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. \u201cA Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) tem realizado esfor\u00e7os de quebrar a rotina de resolver crises e realizado interven\u00e7\u00f5es ao longo dos anos para distribuir as reservas e outras medidas de longo prazo\u201d, comentou o assessor do MI, Marco Cardoso.<\/p>\n<p>\u201cMedidas como um fundo ambiental para preservar nascentes tamb\u00e9m poderiam ser aplicadas\u201d, sugeriu Jos\u00e9 Luiz. Em rela\u00e7\u00e3o ao Sistema Confea\/Crea e M\u00fatua, ele acredita que a miss\u00e3o fiscalizat\u00f3ria da institui\u00e7\u00e3o poderia contribuir para impulsionar recomenda\u00e7\u00f5es de reuso de \u00e1gua e outras. \u201cFiscalizando e orientando, n\u00e3o s\u00f3 punindo\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p><strong>Marco da Biodiversidade<\/strong><\/p>\n<p>A segunda palestra desenvolvida pela Comiss\u00e3o Tem\u00e1tica Meio Ambiente trouxe ao Confea, em seguida, as informa\u00e7\u00f5es do analista pleno do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, Marcondes Moreira de Ara\u00fajo. Engenheiro civil com mestrado em Tecnologia Ambiental pela Imperial College of Science Technology and Medicine, de Londres, e experi\u00eancia em pol\u00edtica e programas de inova\u00e7\u00e3o, infraestrutura e sustentabilidade, ele tratou sobre a Lei n\u00ba 13.123\/2015, o Marco da Biodiversidade.<\/p>\n<p>Fruto de um grande debate com a sociedade, o Marco regulamenta o inciso II do par\u00e1grafo primeiro e o par\u00e1grafo quarto do artigo 225 da Constitui\u00e7\u00e3o e ainda artigos da Conven\u00e7\u00e3o sobre a Diversidade Biol\u00f3gica, dispondo sobre o acesso ao patrim\u00f4nio gen\u00e9tico, sobre a prote\u00e7\u00e3o e o acesso ao conhecimento tradicional associado e sobre a reparti\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios para conserva\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel da biodiversidade.<\/p>\n<p>\u201cVai melhorar um pouco, mas est\u00e1 longe do ideal. \u00c9 o que \u00e9 poss\u00edvel para evitar que algum grupo seja mais beneficiado do que o outro; o melhor desse marco legal est\u00e1 nessa lei\u201d, sintetizou o palestrante. Marcondes lamentou, no entanto, que o controle do Conselho de Gest\u00e3o do Patrim\u00f4nio Gen\u00e9tico (CGen), respons\u00e1vel pela implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para a gest\u00e3o do acesso ao patrim\u00f4nio gen\u00e9tico e ao conhecimento tradicional, n\u00e3o tenha sido compartilhado entre os minist\u00e9rios do Meio Ambiente e da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Especialista colaborador do Congresso T\u00e9cnico Cient\u00edfico da Engenharia e da Agronomia (Contecc) e convidado potencial para o evento ou para a Soea, assim como Jos\u00e9 Luiz de Souza, Marcondes considera ainda que o Confea pode vir a influenciar este colegiado, aberto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal com atividades correlatas. \u201c\u00c9 poss\u00edvel tratar o tema de maneira inovadora, dentro do chamado ecossistema de inova\u00e7\u00e3o\u201d. Nesse sentido, o Confea precisa fazer o dever de casa, na acep\u00e7\u00e3o do conselheiro Romero Peixoto, elaborando projetos adequados \u00e0 sua miss\u00e3o e ao tema do Marco da Biodiversidade, fortalecendo, assim, o papel dos profissionais junto aos Estados, Munic\u00edpios e \u00e0 Uni\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.creapb.org.br\/creapb-admin\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Jose_Luis_Souza_MI.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-11969\" title=\"???????????????????????????????\" src=\"http:\/\/www.creapb.org.br\/creapb-admin\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Jose_Luis_Souza_MI.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"203\" \/><\/a>Entrevista com o engenheiro agr\u00f4nomo Jos\u00e9 Luiz de Souza, coordenador geral de projetos de apoio ao desenvolvimento da regi\u00e3o beneficiada, da secretaria de infraestrutura h\u00eddrica do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional<\/strong><\/p>\n<p>Gostaria que o senhor repassasse uma s\u00edntese sobre os dados das vaz\u00f5es defluentes de reservat\u00f3rios como Tr\u00eas Marias (MG) e Sobradinho (BA). Estes dados e outros que refletem a queda pluviom\u00e9trica tamb\u00e9m nos afluentes podem representar riscos \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco?<\/p>\n<p><strong>Gostaria que o senhor repassasse uma s\u00edntese sobre os dados das vaz\u00f5es defluentes de reservat\u00f3rios como Tr\u00eas Marias (MG) e Sobradinho (BA). Estes dados e outros que refletem a queda pluviom\u00e9trica tamb\u00e9m nos afluentes podem representar riscos \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco? <\/strong><\/p>\n<p>As vaz\u00f5es defluentes em Tr\u00eas Marias e Sobradinho v\u00eam sendo monitoradas diariamente, em consequ\u00eancia dos baixos valores nas vaz\u00f5es afluentes a estes reservat\u00f3rios, decorrentes da baixa pluviometria que tem se verificado na bacia do S\u00e3o Francisco. Em Sobradinho, a vaz\u00e3o defluente \u00e9 estabelecida em normativo da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas, consoante o que estabelece o Plano Decenal da Bacia do S\u00e3o Francisco. E ela tem sido reduzida aqu\u00e9m dos 1300 m3\/s, para o n\u00edvel de 1.100m3\/s, desde o final do ano de 2014, e esse \u00edndice foi estendido at\u00e9 o inicio deste ano de 2015. Em Tr\u00eas Marias, que participa do balan\u00e7o das vaz\u00f5es naquela regi\u00e3o do S\u00e3o Francisco, a vaz\u00e3o defluente, que at\u00e9 o m\u00eas de fevereiro de 2014 era de cerca de 500 m3\/s, teve que ser reduzida atingindo n\u00edveis de 100 m3\/s no inicio deste ano de 2015. Estes valores n\u00e3o representam risco \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o, haja vista que, nos estudos que autorizaram a outorga, foram contemplados cen\u00e1rios cr\u00edticos atinentes \u00e0 precariedade pluviom\u00e9trica na bacia do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p><strong>A transposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 atingiu 70% de suas obras. Quais s\u00e3o as pr\u00f3ximas etapas e os prazos finais?<\/strong><\/p>\n<p>As etapas que se seguem est\u00e3o relacionadas a manter o ritmo das obras e a implanta\u00e7\u00e3o do Projeto. Dado o percentual de obras implantadas j\u00e1 alcan\u00e7ado, prev\u00ea-se que, at\u00e9 o final do ano 2016, tem-se conclus\u00e3o da parte essencial das obras e funcionamento de trechos.<\/p>\n<p><strong>O senhor afirmou que o Cear\u00e1 \u00e9 uma refer\u00eancia na gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, mas seus agentes tamb\u00e9m precisam reciclar seus conhecimentos. Al\u00e9m disso, ter\u00e1 que restringir o uso de \u00e1gua para n\u00e3o atravessar um per\u00edodo de falta de \u00e1gua j\u00e1 em 2016. Que \u00e1reas do Estado poder\u00e3o ser comprometidas e quais os tipos de a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias?<\/strong><\/p>\n<p>Exatamente, temos, pelo menos em n\u00edvel de Nordeste, o Cear\u00e1 como refer\u00eancia na gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, por\u00e9m, isto n\u00e3o o exime de treinar e capacitar seus t\u00e9cnicos para melhorar a gest\u00e3o h\u00eddrica, pelo contr\u00e1rio, v\u00ea-se que sempre se faz necess\u00e1rio o aperfei\u00e7oamento t\u00e9cnico e institucional. O quadro clim\u00e1tico vivido atualmente no pa\u00eds nos d\u00e1 essa li\u00e7\u00e3o. Todos os Estados do Nordeste est\u00e3o vivendo uma situa\u00e7\u00e3o calamitosa, dado os baixos indicies pluviom\u00e9tricos ocorridos nesses dois \u00faltimos anos, j\u00e1 comprometendo todas as regi\u00f5es fisiogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p><strong>Em rela\u00e7\u00e3o ao Cear\u00e1 e a outros estados que hoje v\u00eam sofrendo a crise h\u00eddrica, especialmente S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, pesquisas citadas pelo Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o indicam para um ciclo de 10 anos de escassez de \u00e1gua, que poder\u00e1 ter consequ\u00eancias diretas sobre setores como a constru\u00e7\u00e3o civil, conforme ao senhor apontou durante a sua explana\u00e7\u00e3o no Confea. Quais as principais caracter\u00edsticas desse ciclo?<\/strong><\/p>\n<p>Diversas teorias t\u00eam sido usadas para explicar a seca que atinge todo o pa\u00eds, com a ocorr\u00eancia de eventos extremos. Duas s\u00e3o sempre utilizadas para explicar fen\u00f4menos clim\u00e1ticos longos e c\u00edclicos: a temperatura do Oceano Pac\u00edfico e os ciclos solares. Elas concluem que a regi\u00e3o do manancial atravessa um per\u00edodo de estiagem previs\u00edvel, que deve durar ao menos mais dez anos. O comportamento aqui tratado se repete, vejamos: de 1930 a 1970, as precipita\u00e7\u00f5es ca\u00edram; de 1970 at\u00e9 2003, aumentaram e, agora, de 2004 para c\u00e1, voltaram a cair.<\/p>\n<p><strong>Um dos principais consensos \u00e9 que a conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade ser\u00e1 fundamental para evitar danos ainda piores. Quais t\u00eam sido as iniciativas dos governos, em seus diversos n\u00edveis, quais s\u00e3o os estudos em torno de medidas como fundos ambientais e adequa\u00e7\u00f5es ao Plano Nacional de Seguran\u00e7a H\u00eddrica e como o senhor analisa a viabilidade da atua\u00e7\u00e3o do Sistema Confea\/Crea e M\u00fatua, com seu poder de fiscaliza\u00e7\u00e3o, neste processo?<\/strong><\/p>\n<p>A conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o para enfrentar a causa ambiental e, notadamente, a escassez h\u00eddrica \u00e9 fundamenta para superar e vencer o cen\u00e1rio vivido e vivenciado atualmente. Essa conscientiza\u00e7\u00e3o aplica-se \u00e0 sociedade em geral, incluindo os governos. Cada segmento social no seu papel: governos instituindo programas e projetos de curto, m\u00e9dio e longos prazos, quer seja de infraestrutura h\u00eddrica, quer seja na vertente educacional e tamb\u00e9m com programas emergenciais de assist\u00eancia ao contingente populacional mais direta e fortemente atingidos pelos fen\u00f4menos clim\u00e1ticos extremos. O Sistema Confea\/Crea e M\u00fatua, tanto no seu papel de poder fiscalizador, como seguimento privilegiado da sociedade, e no seu dever de cidadania pode apoiar as politicas p\u00fablicas e orientar seus filiados \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de conviv\u00eancia com a escassez h\u00eddrica. Deve-se incentivar o debate sobre a tem\u00e1tica ambiental e, especialmente \u00e1gua. H\u00e1 espa\u00e7o e oportunidade para todos participarem, apoiarem e contribu\u00edrem com a sociedade, de modo que se possa vencer o maior desafio da atualidade que \u00e9 desenvolver uma nova \u00e9tica na gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos, apoiada na resolu\u00e7\u00e3o das desigualdades que conduzem \u00e0 inseguran\u00e7a da \u00e1gua.<\/p>\n<p><em>Henrique Nunes<\/em><br \/>\n<em>Equipe de Comunica\u00e7\u00e3o do Confea<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez anos. Este deve ser o ciclo da crise h\u00eddrica brasileira, iniciada em 2013. O per\u00edodo de uma d\u00e9cada de profundas adversidades pluviais, sobretudo em Estados como Cear\u00e1 e S\u00e3o Paulo, foi descrito pelo coordenador geral de projetos de apoio ao desenvolvimento da regi\u00e3o beneficiada, do minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, engenheiro agr\u00f4nomo Jos\u00e9 Luiz de Souza, ao participar da reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o Tem\u00e1tica Meio Ambiente, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Outro destaque da reuni\u00e3o foi a palestra do engenheiro civil Marcondes Moreira de Ara\u00fajo, analista pleno do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, sobre o Marco da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":11968,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-11967","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11967","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11967"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11967\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}