{"id":21600,"date":"2024-04-18T13:30:06","date_gmt":"2024-04-18T16:30:06","guid":{"rendered":"https:\/\/creapb.org.br\/?p=21600"},"modified":"2024-04-18T13:30:06","modified_gmt":"2024-04-18T16:30:06","slug":"a-utilizacao-da-areia-como-elemento-finito-e-estrategico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/a-utilizacao-da-areia-como-elemento-finito-e-estrategico\/","title":{"rendered":"A utiliza\u00e7\u00e3o da areia como elemento finito e estrat\u00e9gico"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 2022, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) publicou um&nbsp;<a href=\"https:\/\/wedocs.unep.org\/handle\/20.500.11822\/28163\">relat\u00f3rio<\/a>&nbsp;ressaltando a import\u00e2ncia de reconhecer a areia como um recurso estrat\u00e9gico. Segundo o documento, a areia ocupa a posi\u00e7\u00e3o de segundo recurso mais explorado do mundo, logo ap\u00f3s a \u00e1gua, com uma demanda anual que ultrapassa 50 bilh\u00f5es de toneladas. Os especialistas defendem que a extra\u00e7\u00e3o e o uso devem ser repensados.<\/p>\n\n\n\n<p>A doutoranda em Engenharia Civil na Escola Polit\u00e9cnica (Poli) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Lidiane Santana Oliveira, destaca a onipresen\u00e7a da areia no cotidiano. &#8220;Al\u00e9m de ser fundamental na constru\u00e7\u00e3o civil, uma das mais dependentes desse recurso, encontramos areia em uma variedade de produtos, desde pastas de dente at\u00e9 microchips. Portanto, \u00e9 um recurso estrat\u00e9gico, por\u00e9m muitas vezes sua import\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 reconhecida da mesma forma que a \u00e1gua.&#8221; Ela explica que de modo geral, a areia \u00e9 um recurso abundante e amplamente dispon\u00edvel em quase todas as regi\u00f5es do mundo. No entanto, nem sempre se encontra areia com as propriedades espec\u00edficas necess\u00e1rias para determinadas aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/lidiane_doutoranda-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-21604\" width=\"852\" height=\"639\" srcset=\"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/lidiane_doutoranda-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/lidiane_doutoranda-300x225.jpeg 300w, https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/lidiane_doutoranda-768x576.jpeg 768w, https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/lidiane_doutoranda-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/lidiane_doutoranda-2048x1536.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 852px) 100vw, 852px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00a0<mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Lidiane Santana Oliveira<\/mark><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A extra\u00e7\u00e3o de areia est\u00e1 ocorrendo em uma velocidade que excede sua capacidade de reposi\u00e7\u00e3o, resultando em \u00e1reas que j\u00e1 est\u00e3o sofrendo os impactos desse esgotamento, como em Dubai, nos Emirados \u00c1rabes. Nessa regi\u00e3o, os recursos de areia adequados para a produ\u00e7\u00e3o de concreto foram esgotados devido \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das famosas ilhas gigantes em formatos de mapa-m\u00fandi e palmeiras. Lidiane Santana Oliveira explica que atualmente o concreto utilizado na constru\u00e7\u00e3o \u00e9 importado da Austr\u00e1lia, mesmo estando pr\u00f3ximo a uma regi\u00e3o des\u00e9rtica. \u201cIsso ocorre devido \u00e0s caracter\u00edsticas dos gr\u00e3os de areia do deserto, que n\u00e3o s\u00e3o adequados para a produ\u00e7\u00e3o de concreto.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, aproximadamente 75% da areia consumida \u00e9 extra\u00edda de forma irregular, um cen\u00e1rio que se repete em escala global. Lidiane analisa: \u201cEstima-se que apenas 40% da areia extra\u00edda e consumida no mundo prov\u00e9m de fontes regulares. E a intensidade da extra\u00e7\u00e3o tem causado impactos significativos, como no desaparecimento de cerca de 25 ilhas na Indon\u00e9sia. \u00a0Se a extra\u00e7\u00e3o regular j\u00e1 provoca danos ao meio ambiente, imagine a extra\u00e7\u00e3o irregular, que n\u00e3o se preocupa com a preserva\u00e7\u00e3o da flora e fauna?&#8221;, questiona.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o<a href=\"https:\/\/www.confea.org.br\/midias\/uploads-imce\/sand_sustainability_ONU.pdf\">&nbsp;relat\u00f3rio do Pnuma<\/a>, existem solu\u00e7\u00f5es para se avan\u00e7ar rumo a uma economia circular da areia. A proibi\u00e7\u00e3o do aterro de res\u00edduos minerais e o incentivo \u00e0 reutiliza\u00e7\u00e3o da areia em licita\u00e7\u00f5es p\u00fablicas est\u00e3o entre as medidas pol\u00edticas citadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Lidiane explica que alguns materiais podem ser reciclados e ent\u00e3o utilizados como substitutos de areia. \u00c9 o caso, por exemplo, do Res\u00edduo de Constru\u00e7\u00e3o e Demoli\u00e7\u00e3o (RCD). Estudos indicam que, ap\u00f3s algumas etapas de processamento, o RCD pode resultar em um material com qualidade similar \u00e0 de uma areia ou brita natural.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra possibilidade \u00e9 o p\u00f3 de brita, gerado no processamento da rocha para extra\u00e7\u00e3o de brita. Segundo a pesquisadora, o p\u00f3 tem algumas caracter\u00edsticas diferentes da areia, mas pode ser utilizado em certas composi\u00e7\u00f5es de concreto e argamassa.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ainda a alternativa dos rejeitos da minera\u00e7\u00e3o, como o rejeito do min\u00e9rio de ferro. Lidiane participa de um dos estudos que mostram que esses rejeitos podem ser utilizados como substituto da areia. \u201cA quest\u00e3o \u00e9 a disponibilidade local\u201d, pondera. \u201cDeterminados tipos de rejeito est\u00e3o localizados principalmente em Minas Gerais, ent\u00e3o tem um desafio log\u00edstico a se vencer para poder ampliar o mercado\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com essas alternativas vi\u00e1veis e promissoras, a pesquisadora destaca a import\u00e2ncia da fiscaliza\u00e7\u00e3o e do consumo consciente. \u201cA solu\u00e7\u00e3o \u00e9 usar o recurso de uma forma mais consciente, melhorar a efici\u00eancia do processo produtivo e com isso diminuir a produ\u00e7\u00e3o de res\u00edduo. E valorizar estudos que possam ajudar na melhoria do sistema construtivo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Equipe de Comunica\u00e7\u00e3o do Crea-PB, com informa\u00e7\u00e3o do Jornal da USP e Pnuma Brasil<\/strong><br><strong>Foto: Freepik \u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2022, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) publicou um&nbsp;relat\u00f3rio&nbsp;ressaltando a import\u00e2ncia de reconhecer a areia como um recurso estrat\u00e9gico. Segundo o documento, a areia ocupa a posi\u00e7\u00e3o de segundo recurso mais explorado do mundo, logo ap\u00f3s a \u00e1gua, com uma demanda anual que ultrapassa 50 bilh\u00f5es de toneladas. Os especialistas defendem que a extra\u00e7\u00e3o e o uso devem ser repensados. A doutoranda em Engenharia Civil na Escola Polit\u00e9cnica (Poli) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Lidiane Santana Oliveira, destaca a onipresen\u00e7a da areia no cotidiano. &#8220;Al\u00e9m de ser fundamental na constru\u00e7\u00e3o civil, uma das mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":101014,"featured_media":21601,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-21600","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101014"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21600"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21600\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21608,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21600\/revisions\/21608"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21601"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}