{"id":8152,"date":"2013-03-22T15:22:58","date_gmt":"2013-03-22T18:22:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.creapb.org.br\/?p=8152"},"modified":"2013-03-22T15:22:58","modified_gmt":"2013-03-22T18:22:58","slug":"carta-capital-revela-o-desmonte-da-embrapa-em-favor-das-multinacionais-do-agronegocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/carta-capital-revela-o-desmonte-da-embrapa-em-favor-das-multinacionais-do-agronegocio\/","title":{"rendered":"Carta Capital revela o desmonte da Embrapa em favor das multinacionais do agroneg\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Reportagem da revista Carta Capital, intitulada \u201cUm tesouro dilapidado\u201d, revela o desmonte da Embrapa para favorecer as multinacionais do agroneg\u00f3cio. Atua\u00e7\u00e3o do SINPAF, afirma o texto, ajudou o governo a descobrir irregularidades e afastar o ex-presidente. A mat\u00e9ria, publicada na edi\u00e7\u00e3o dessa semana e assinada pelo rep\u00f3rter Andr\u00e9 Barrocal, mostra como a Embrapa tem perdido espa\u00e7o para multinacionais como Monsanto (Estados Unidos) e Basf (Alemanha) no com\u00e9rcio de mudas e sementes, um neg\u00f3cio que beira os R$ 10 bilh\u00f5es anuais.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o desse papel estrat\u00e9gico da empresa trouxe duas consequ\u00eancias graves: produtores, pequenos ou grandes, cada vez mais dependentes das empresas estrangeiras e falta de regula\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os dos alimentos, que pode afetar a soberania alimentar da popula\u00e7\u00e3o. Na mat\u00e9ria, o pr\u00f3prio presidente da Embrapa, Maur\u00edcio Ant\u00f4nio Lopes, reconhece a situa\u00e7\u00e3o. \u201cO problema \u00e9 sair completamente do mercado e permitir a concentra\u00e7\u00e3o nas multinacionais\u201d, admite.<\/p>\n<p>A reportagem explica que a gest\u00e3o pr\u00f3-multinacionais na Embrapa ganhou for\u00e7a a partir de 2007, sob o comando de Pedro Arraes, que \u201ctrabalhou para o Estado brasileiro n\u00e3o atrapalhar os neg\u00f3cios privados, via concorr\u00eancia, nem dar muni\u00e7\u00e3o para ataques aos transg\u00eanicos e aos agrot\u00f3xicos das transnacionais, que empurram a produtividade nas fazendas\u201d. Reflexo dessa postura subalterna foi oprimir fortemente a atua\u00e7\u00e3o do SINPAF, que criticava a gest\u00e3o, e censurar a liberdade de opini\u00e3o dos trabalhadores da empresa.<\/p>\n<p>A reportagem cita, por exemplo, as circulares internas emitidas por Pedro Arraes proibindo pesquisadores de dar entrevistas e participar de debates sem autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da chefia. \u201cA censura tinha car\u00e1ter ideol\u00f3gico. Muitos pesquisadores acreditam que sua tarefa \u00e9 desenvolver tecnologia para ajudar o campo a plantar, de olho no mercado interno, alimentos saud\u00e1veis, que n\u00e3o agridam (diretamente ou por meio de agrot\u00f3xicos que requerem) o meio ambiente e a sa\u00fade. Resistem \u00e0 ideia de gastar energia para descobertas que sirvam apenas aos interesses dos grandes exportadores de monoculturas\u201d, afirma outro trecho da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>De acordo com o texto, a den\u00fancia do SINPAF de que o ent\u00e3o presidente Pedro Arraes planejava a cria\u00e7\u00e3o de uma filial da empresa nos EUA, para facilitar o acesso estrangeiro ao banco gen\u00e9tico e afrouxar ainda mais a rela\u00e7\u00e3o comercial com as m\u00faltis, foi o estopim para as sa\u00edda dele do comando da estatal. Para o SINPAF, a abertura da filial, projeto chamado Embrapatec (Embrapa Tecnologia SA) foi a forma encontrada para colocar o interesse p\u00fablico simplesmente \u00e0 servi\u00e7o do mercado internacional do agroneg\u00f3cio.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.creapb.org.br\/creapb-admin\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/tesourodilapidado3.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-8180\" title=\"tesourodilapidado\" src=\"http:\/\/www.creapb.org.br\/creapb-admin\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/tesourodilapidado3-1024x816.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"510\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Um tesouro dilapidado<\/strong><strong> <\/strong><strong>PODER P\u00daBLICO | <\/strong>Como as disputas pol\u00edticas paralisaram a Embrapa, um dos s\u00edmbolos de excel\u00eancia do Estado brasileiro<\/p>\n<p>A PRESIDENTA Dilma Rousseff lan\u00e7ou na quinta-feira 14, em reuni\u00e3o com empres\u00e1rios, um pacote de investimento e financiamento p\u00fablicos para estimular pesquisas na \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o e tecnologia na ind\u00fastria. Ela aproveitou o an\u00fancio para comunicar tamb\u00e9m a decis\u00e3o de converter a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o Industrial em uma empreitada definitiva. Nascida como projeto experimental cm janeiro de 2012, a Embrapii \u00e9 a aposta para impulsionar a descoberta de produtos e t\u00e9cnicas novas. Uma tentativa de fortalecer a ind\u00fastria nacional ante a concorr\u00eancia estrangeira.<\/p>\n<p>Desenhada para ser uma entidade privada sem fins lucrativos do tipo \u201corganiza\u00e7\u00e3o social\u201d \u2013 na pr\u00e1tica, uma parceria entre \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, institutos de pesquisa e empres\u00e1rios -, a Embrapii foi inspirada em uma estatal criada durante a ditadura, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria. Por d\u00e9cadas, a Embrapa foi sin\u00f4nimo de inova\u00e7\u00e3o e tecnologia. A que completar\u00e1 40 anos em abril atravessou, por\u00e9m, uma fase cr\u00edtica at\u00e9 o fim de 2012 e agora tenta se reinventar.<\/p>\n<p>A Embrapa perdeu espa\u00e7o no Brasil nos \u00faltimos tempos como fornecedora de sementes e tecnologia aos produtores rurais, segundo um relat\u00f3rio do ano passado da empresa. No embalo da expans\u00e3o acelerada do agroneg\u00f3cio e com uma dire\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel \u00e0 frente da Embrapa, as multinacionais tomaram conta do com\u00e9rcio de mudas e sementes, neg\u00f3cio que deve movimentar 10 bilh\u00f5es de reais este ano, nas contas da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem).<\/p>\n<p>A colheita de gr\u00e3os da safra 2012\/2013, por exemplo, deve atingir a marca recorde de 185 milh\u00f5es de toneladas, 50% a mais do que h\u00e1 dez anos. Nos tempos \u00e1ureos, a Embrapa chegou a fornecer 60% das sementes de soja, o carro-chefe da produ\u00e7\u00e3o nativa de gr\u00e3os, respons\u00e1vel por quase metade da colheita. Hoje, a participa\u00e7\u00e3o da semente estatal no cultivo de soja \u00e9 irris\u00f3ria.<\/p>\n<p>O encolhimento trouxe duas consequ\u00eancias preocupantes apontadas no relat\u00f3rio. Uma foi a redu\u00e7\u00e3o das op\u00e7\u00f5es de fornecedores dos agricultores \u2013 n\u00e3o importa o tamanho que tenham, ficam todos mais dependentes de transnacionais como a norte-americana Monsanto ou a alem\u00e3 Basf. A outra foi tirar do governo um instrumento de regula\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos, determinados por v\u00e1rios fatores e, entre eles, o custo de mudas, sementes e mat\u00e9rias-primas em geral.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 nada de extraordin\u00e1rio na perda de espa\u00e7o da Embrapa. O problema \u00e9 sair completamente do mercado e permitir a concentra\u00e7\u00e3o nas multinacionais\u201d, diz o presidente da empresa, Maur\u00edcio Ant\u00f4nio Lopes, no cargo h\u00e1 cinco meses. \u201cH\u00e1 necessidade de investimentos p\u00fablicos para garantir a diversidade de oferta.\u201d<\/p>\n<p>Para recuperar terreno. Lopes fechou em dezembro um acordo in\u00e9dito com a Universidade Estadual de Campinas. \u2013 (Unicamp) para criar uma unidade conjunta de pesquisas na \u00e1rea de biotecnologia, cuja miss\u00e3o principal ser\u00e1 produzir descobertas que fa\u00e7am frente \u00e0quelas das multinacionais. O principal objetivo \u00e9, por\u00e9m, montar uma subsidi\u00e1ria que possa negociar, com vis\u00e3o empresarial e sem as amarras que engessam os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, as inven\u00e7\u00f5es de seus pesquisadores, como acontece com a equivalente francesa da estatal.<\/p>\n<p>A chamada Embrapa Tecnologia seria um bra\u00e7o operacional que ampliaria a capacidade de a\u00e7\u00e3o mercadol\u00f3gica da empresa. Sua constitui\u00e7\u00e3o depende da vota\u00e7\u00e3o de uma lei no Congresso. A proposta foi aprovada em dezembro de 2012 por uma comiss\u00e3o do Senado, e Lopes trabalha para o Legislativo liquidar o assunto ainda em 2013. \u201cPara manter o setor p\u00fablico operando, temos de lan\u00e7ar m\u00e3o de estrat\u00e9gias novas, transformar conhecimento em produto.\u201d<\/p>\n<p>A Embrapa contabiliza hoje 980 projetos de pesquisa em andamento. E essa carteira que. por meio da subsidi\u00e1ria, Lopes quer negociar no mercado, seja na forma de produto final, seja como um ativo parcial que combinado com inova\u00e7\u00f5es das multinacionais, pudesse dar origem a uma novidade de valor. Segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecu\u00e1rio (Sinpaf), os pesquisadores andam desanimados para seguir com os trabalhos. \u201cH\u00e1 uma crise de rumo estrat\u00e9gico na Embrapa\u201d, afirma o presidente do Sinpaf, Vicente Almeida.<\/p>\n<p>A crise mencionada nasceu de uma diverg\u00eancia profunda do sindicato com a filosofia do ex-presidente Pedro Arraes, que dirigiu a estatal de julho de 2009 a outubro de 2012. Funcion\u00e1rio de carreira como Lopes, Arraes trabalhou para o Estado brasileiro n\u00e3o atrapalhar os neg\u00f3cios privados, via concorr\u00eancia, nem dar muni\u00e7\u00e3o para ataques aos transg\u00eanicos e aos agrot\u00f3xicos das transnacionais, que empurram a produtividade nas fazendas. Foi por culpa de Arraes que a Embrapa perdeu espa\u00e7o, na avalia\u00e7\u00e3o do sindicato, embora o sucessor do ex-presidente veja a situa\u00e7\u00e3o como resultado de uma hist\u00f3ria mais antiga.<\/p>\n<p>Em outubro de 2010, por exemplo, Arraes baixou uma circular interna na qual proibia os pesquisadores de dar entrevistas e participar de debates p\u00fablicos. Eles s\u00f3 poderiam se manifestar se tivessem autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da chefia. Em fevereiro de 2011, o agr\u00f4nomo vetou a participa\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos em um semin\u00e1rio no Congresso Nacional que discutiria a proposta de um novo C\u00f3digo Florestal, lei feita na medida para os grandes fazendeiros clientes das multinacionais.<\/p>\n<p>A censura tinha car\u00e1ter ideol\u00f3gico. Muitos pesquisadores acreditam que sua tarefa \u00e9 desenvolver tecnologia para ajudar o campo a plantar, de olho no mercado interno, alimentos mais saud\u00e1veis, que n\u00e3o agridam (diretamente ou por meio dos agrot\u00f3xicos que requerem) o meio ambiente e a sa\u00fade. Resistem \u00e0 ideia de gastar energia para descobertas que sirvam apenas aos interesses dos grandes exportadores de monoculturas.<\/p>\n<p>Os produtores de menor porte, que em tese se beneficiam dessa vis\u00e3o predominante entre os pesquisadores, sentem falta da velha parceria. \u201cA vida do agricultor familiar ficou muito pior, a Embrapa est\u00e1 deixando a desejar\u201d, diz o secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Agr\u00edcola da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Antoninho Rovaris. \u201cTemos de inverter as prioridades e mudar o foco da pol\u00edtica adotada.\u201d<\/p>\n<p>Um exemplo de como os pequenos passaram a sofrer com o fato de as m\u00faltis terem se assenhoreado do mercado \u00e9 o milho, integrante da cesta b\u00e1sica brasileira, cujo cultivo um dia teve 30% das sementes fornecidas pela Embrapa.<\/p>\n<p>Segundo Rovaris, as sementes estatais est\u00e3o ultrapassadas, e os agricultores conseguem volumes de produ\u00e7\u00e3o (e lucros) bem superiores se usam os produtos da Monsanto. S\u00f3 que a mat\u00e9ria-prima da norte-americana custa quatro vezes mais que a vendida pela Embrapa.<\/p>\n<p>Carta Capital tentou obter da Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA), entidade que representa os grandes produtores, uma opini\u00e3o sobre a atua\u00e7\u00e3o da estatal. A institui\u00e7\u00e3o preferiu n\u00e3o se pronunciar.<\/p>\n<p>A tentativa de impor na Embrapa uma gest\u00e3o pr\u00f3-m\u00faltis e exportadores custou a Arraes uma guerra com o sindicato, cujo desfecho foi a sua demiss\u00e3o, em outubro, apenas dois meses depois de ter sido reconduzido para outro mandato de tr\u00eas anos. O motivo da exonera\u00e7\u00e3o foi uma den\u00fancia feita pelo Sinpaf ao secret\u00e1rio-geral da Presid\u00eancia, Gilberto Carvalho. A cria\u00e7\u00e3o de uma filial da Embrapa nos Estados Unidos, para cuidar da atua\u00e7\u00e3o internacional da estatal, presente em Gana (\u00c1frica) e na Venezuela, estaria marcada por irregularidades e m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o sindicato, Arraes planejava usar a filial para permitir o livre acesso estrangeiro ao banco gen\u00e9tico acumulado pela Embrapa em 40 anos de pesquisas. Prova disso seria a escolha da sede, o estado norte-americano de Delaware, de leis consideradas permissivas. A filial tamb\u00e9m estaria destinada a desvirtuar o esp\u00edrito que levou o governo Lula a apoiar a abertura de escrit\u00f3rios da Embrapa no exterior e a coopera\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria com na\u00e7\u00f5es mais pobres. Estaria formatada para liberar o uso dos escrit\u00f3rios como porta de entrada, nos pa\u00edses pobres, para multinacionais.<\/p>\n<p>O Sinpaf n\u00e3o teve mais d\u00favidas dos planos de Arraes quando a renova\u00e7\u00e3o de seu mandato \u00e0 frente da estatal, anunciada em uma feira rural ga\u00facha em agosto, foi saudada pelo agroneg\u00f3cio durante o evento na voz do presidente da maior fabricante de tratores do mundo, a John Deere. Em discurso, Paulo Hermann fez refer\u00eancia expl\u00edcita \u00e0s \u201cramifica\u00e7\u00f5es\u201d da Embrapa \u201cem todos os continentes\u201d. A hist\u00f3rica fome na \u00c1frica, por exemplo, torna as plan\u00edcies do continente potenciais consumidoras de tratores, os quais poderiam ser negociados com os governos locais a partir do escrit\u00f3rio da Embrapa em Gana.<\/p>\n<p>Dias depois da feira ga\u00facha, a Expointer, o Sinpaf procurou o ministro Gilberto Carvalho para apresentar a den\u00fancia. Teria sido por causa das suspeitas pretens\u00f5es que o ex-presidente decidira montar a filial por conta pr\u00f3pria, sem consultar o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Embrapa ou o Minist\u00e9rio da Agricultura. A falta de autoriza\u00e7\u00e3o superior foi a raz\u00e3o jur\u00eddica utilizada por Dilma para mandar desfazer o neg\u00f3cio, afastar Arraes do cargo e pedir uma sindic\u00e2ncia contra ele.<\/p>\n<p>Aberta pelo Minist\u00e9rio da Agricultura, a sindic\u00e2ncia n\u00e3o foi conclusiva sobre a culpa ou inoc\u00eancia de Arraes. Segundo o relat\u00f3rio final, era necess\u00e1rio aprofundar as investiga\u00e7\u00f5es. O documento foi enviado em janeiro \u00e0 Controladoria-Geral da Uni\u00e3o. Mais de dois meses depois, a corregedoria da CGU ainda analisa o relat\u00f3rio para definir as provid\u00eancias cab\u00edveis. Segundo a corregedoria, o volume de trabalho superior \u00e0 capacidade f\u00edsica da equipe impede uma an\u00e1lise mais r\u00e1pida.<\/p>\n<p>Duas semanas ap\u00f3s a demiss\u00e3o, Arraes tornou-se assessor na Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, hoje controlada pelo PMDB, o partido do ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho. A mudan\u00e7a de rumo da Embrapa com Arraes pode ser entendida a partir do avan\u00e7o gradual do PMDB em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos do setor rural de 2007 em diante. A partir do segundo mandato, o ex-presidente Lula aproximou-se dos ruralistas por raz\u00f5es pol\u00edticas (refor\u00e7ar o apoio ao governo no Congresso) e, sobretudo, econ\u00f4micas. O ex-presidente da Embrapa n\u00e3o atendeu aos pedidos de entrevista.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o Brasil virou um campe\u00e3o de exporta\u00e7\u00e3o de alimentos e, na opini\u00e3o do atual presidente da Embrapa, deveria orgulhar-se do feito. Foi medalha de bronze em 2010 e at\u00e9 2020, segundo um relat\u00f3rio do governo norte-americano, tomar\u00e1 o ouro dos Estados Unidos. As exporta\u00e7\u00f5es recordes do agroneg\u00f3cio t\u00eam ajudado o Pa\u00eds a manter uma balan\u00e7a comercial positiva na \u00faltima d\u00e9cada. Em janeiro, por exemplo, quando o governo registrou o pior d\u00e9ficit comercial mensal em 20 anos, de 4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, depois de sucessivos super\u00e1vits, o resultado s\u00f3 n\u00e3o foi mais desastroso gra\u00e7as \u00e0 agricultura, que rendeu um saldo favor\u00e1vel de 5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>As boas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas com o setor iniciadas pelo ex-presidente foram mantidas pela sucessora, a ponto de Dilma enxergar hoje a presidente da Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil, a senadora K\u00e1tia Abreu (PSD-TO), como uma aliada do governo mais ativa do que o PT. Apesar de existirem d\u00favidas sobre a perman\u00eancia do ministro da Agricultura, a presidenta n\u00e3o pretende tomar a iniciativa de substitu\u00ed-lo. Inclusive por solidariedade com um subordinado que sofre de uma doen\u00e7a que tamb\u00e9m a atingiu, o c\u00e2ncer. Dilma pode, por\u00e9m, troc\u00e1-lo se o PMDB, o partido do ministro, fizer quest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0 diferen\u00e7a de Lula, a presidenta diminuiu o ritmo da reforma agr\u00e1ria, aposta do ex-presidente para equilibrar o jogo de for\u00e7as entre grandes fazendeiros, de um lado, e agricultores familiares e sem-terra, de outro. Em dois anos de governo, foram apenas 80 decretos de desapropria\u00e7\u00e3o, um ter\u00e7o da m\u00e9dia anual do segundo mandato do antecessor. Na ter\u00e7a-feira 5, ao participar do 11\u00b0 Congresso da Contag, Dilma prometeu \u201cacelerar a reforma agr\u00e1ria\u201d. A ver.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Andr\u00e9 Barrocal-Carta Capital <\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Reportagem da revista Carta Capital, intitulada \u201cUm tesouro dilapidado\u201d, revela o desmonte da Embrapa para favorecer as multinacionais do agroneg\u00f3cio. Atua\u00e7\u00e3o do SINPAF, afirma o texto, ajudou o governo a descobrir irregularidades e afastar o ex-presidente. A mat\u00e9ria, publicada na edi\u00e7\u00e3o dessa semana e assinada pelo rep\u00f3rter Andr\u00e9 Barrocal, mostra como a Embrapa tem perdido espa\u00e7o para multinacionais como Monsanto (Estados Unidos) e Basf (Alemanha) no com\u00e9rcio de mudas e sementes, um neg\u00f3cio que beira os R$ 10 bilh\u00f5es anuais. A redu\u00e7\u00e3o desse papel estrat\u00e9gico da empresa trouxe duas consequ\u00eancias graves: produtores, pequenos ou grandes, cada vez mais dependentes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-8152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8152"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8152\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}