{"id":8195,"date":"2013-03-28T14:14:18","date_gmt":"2013-03-28T17:14:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.creapb.org.br\/?p=8195"},"modified":"2013-03-28T14:14:18","modified_gmt":"2013-03-28T17:14:18","slug":"abundancia-desperdicada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/creapb.org.br\/site\/abundancia-desperdicada\/","title":{"rendered":"ABUND\u00c2NCIA DESPERDI\u00c7ADA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Agroind\u00fastria \u00e9 disparado o maior sorvedouro de \u00e1gua doce do planeta. O uso irracional do recurso ajuda a alimentar a crise mundial de \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.creapb.org.br\/creapb-admin\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/MAIS-GADOFABIO-ROSSI.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-8196\" title=\"MAIS-GADOFABIO-ROSSI\" src=\"http:\/\/www.creapb.org.br\/creapb-admin\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/MAIS-GADOFABIO-ROSSI.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/a>Para produzir um quilo de carne, o consumo de \u00e1gua \u00e9 de 15 mil litros<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">RIO &#8211; A cada segundo, 100 mil litros de \u00e1gua s\u00e3o consumidos pelo setor industrial brasileiro. S\u00f3 que \u00e9 o agroneg\u00f3cio, e n\u00e3o a ind\u00fastria, o maior sorvedouro de \u00e1gua doce do planeta. O setor consome 70% desse recurso, finito e vulner\u00e1vel. O restante \u00e9 utilizado pela ind\u00fastria (20%) e para o consumo humano (10%). Detalhe: o desperd\u00edcio e o uso irracional s\u00e3o uma constante nesses tr\u00eas setores, tanto no Brasil quanto no mundo.<\/p>\n<p>O centro de produ\u00e7\u00e3o de hortali\u00e7as de Bonfim, distrito de Corr\u00eaa, em Petr\u00f3polis, regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro, \u00e9 uma esp\u00e9cie de microcosmos de uma situa\u00e7\u00e3o corriqueira no Brasil. O pa\u00eds ostenta, simultaneamente, os t\u00edtulos de maior exportador de carne de frango do mundo e de segundo produtor mundial de soja.<\/p>\n<p>Se as 700 fam\u00edlias produtoras de Bonfim tivessem adotado o sistema de irriga\u00e7\u00e3o sugerido pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, o consumo de \u00e1gua seria quatro vezes menor, representando assim uma economia di\u00e1ria de 10,5 milh\u00f5es de litros. Ou seja, 315 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua todos os meses deixariam de ser desperdi\u00e7ados.<\/p>\n<p>\u2014 A \u00e1gua \u00e9 vital para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. \u00c9 fundamental para a sua sobreviv\u00eancia. No caso da regi\u00e3o Serrana, a composi\u00e7\u00e3o das hortali\u00e7as significa a comercializa\u00e7\u00e3o de um produto com 70% a 90% de \u00e1gua \u2014 calcula o t\u00e9cnico agropecu\u00e1rio da Emater Andr\u00e9 Luis Costa de Azevedo, chamando a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da irriga\u00e7\u00e3o. \u2014 N\u00e3o basta molhar, \u00e9 preciso saber a hora correta e a quantidade certa de \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>DESPERD\u00cdCIO E USO IRRACIONAL<\/strong><\/p>\n<p>Essencial para a conserva\u00e7\u00e3o da vida, a manuten\u00e7\u00e3o do desenvolvimento e o meio ambiente, a combina\u00e7\u00e3o de desperd\u00edcio e uso irracional \u00e9 muitas vezes ignorada especialmente em pa\u00edses como o Brasil, onde, ironicamente, o maior dos problemas \u00e9 justamente a abund\u00e2ncia de \u00e1gua.<\/p>\n<p>E apesar do excesso do recurso, mesmo aqui o desperd\u00edcio tem seu pre\u00e7o. Os pequenos produtores de Bonfim viram de perto, recentemente, os efeitos da estiagem e a queda do volume de \u00e1gua nos mananciais do munic\u00edpio, localizado no entorno do Parque Nacional da Serra dos \u00d3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>O consumo m\u00e9dio de \u00e1gua de cada uma das propriedades de Bonfim varia de 10 mil a 32 mil litros de \u00e1gua por dia. Abaixo, portanto, do limite de 34,5 mil litros de \u00e1gua di\u00e1rios estipulado pela Lei de Outorga da \u00c1gua. Como est\u00e3o abaixo desse patamar, os produtores da regi\u00e3o s\u00e3o isentos de cobran\u00e7a pelo uso da \u00e1gua. Esta \u00e9 uma das grandes dificuldades que os t\u00e9cnicos do Emater enfrentam, sempre que tentam convencer os pequenos produtores da regi\u00e3o da import\u00e2ncia de investir em equipamentos de irriga\u00e7\u00e3o eficientes.<\/p>\n<p>\u2014 Apesar do grau de consci\u00eancia ambiental ter aumentado nos \u00faltimos anos, diria que, de um modo geral, ele \u00e9 ainda muito baixo. Grande \u00e9 o desperd\u00edcio no campo. Menos de 10% da agricultura no pa\u00eds \u00e9 irrigada. Imagina se o Brasil fosse um pa\u00eds que n\u00e3o pudesse contar com a \u00e1gua da chuva, haveria um colapso \u2014 avalia o coordenador do Programa de \u00c1gua para a Vida, da ONG WWF-Brasil, Glauco Kimura.<\/p>\n<p><strong>M\u00c9TODOS OBSOLETOS<\/strong><\/p>\n<p>Vazamentos e m\u00e9todos obsoletos drenam, segundo estat\u00edsticas oficiais, 50% da \u00e1gua usada para beber e 60% da \u00e1gua de irriga\u00e7\u00e3o. Hoje j\u00e1 existe tecnologia de irriga\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel no mercado capaz de reduzir o desperd\u00edcio em torno de 50% na agricultura e podendo chegar a 90% no setor industrial.<\/p>\n<p>A Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria vem desenvolvendo sensores de precis\u00e3o para a irriga\u00e7\u00e3o. O monitor permite a leitura imediata ou o armazenamento de dados por per\u00edodos de at\u00e9 um m\u00eas. E pode ajudar a determinar a umidade ideal no solo para a colheira, por exemplo, da cana-de-a\u00e7\u00facar. Outro equipamento, o Irrig\u00e1s, informa o momento certo de irrigar. Trata-se de uma vela de filtro de cer\u00e2mica, que fica conectada atrav\u00e9s de um tubo flex\u00edvel a uma cuba de seringa transparente. Durante a medi\u00e7\u00e3o, a cuba \u00e9 emborcada em um frasco de \u00e1gua. A passagem do l\u00edquido para dentro da cuba indica que os poros da vela est\u00e3o abertos e a umidade do solo est\u00e1 baixa: \u00e9 a hora de irrigar. O equipamento custa menos de R$ 5,00.<\/p>\n<p>\u2014 S\u00f3 que as empresas precisam calcular sua pegada h\u00eddrica para tomar a decis\u00e3o estrat\u00e9gica de reduzir o consumo de \u00e1gua. Uma x\u00edcara de caf\u00e9, por exemplo, consome 140 litros de \u00e1gua, se calcularmos o consumo do em toda a cadeia produtiva, do campo, onde est\u00e3o os cafezais, \u00e0 mesa do consumidor. Precisamos fazer um caf\u00e9 que consuma menos \u00e1gua. Isso \u00e9 responsabilidade ambiental \u2014 comenta Kimura.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 no topo da lista de pa\u00edses consumidores de \u00e1gua: 356 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos anuais. O pa\u00eds ocupa a quarta posi\u00e7\u00e3o, atr\u00e1s da China, \u00cdndia e Estados Unidos. O brasileiro consome diariamente 200 litros\/ dia em banho, bebidas, cozinha, lavagem de carros, cal\u00e7ados e pisos, al\u00e9m da rega de jardins e planta\u00e7\u00f5es de tamanhos variados. Pelos c\u00e1lculos da institui\u00e7\u00e3o, cada pessoa necessita de 3,3 metros c\u00fabicos per capita m\u00eas, ou seja, 110 litros de \u00e1gua por dia para atender as necessidade de consumo e higiene.<\/p>\n<p>O setor industrial tamb\u00e9m j\u00e1 come\u00e7a a fazer o dever de casa para reduzir sua pegada h\u00eddrica. O grupo Gerdau, l\u00edder na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7os longos nas Am\u00e9ricas e uma das maiores fornecedoras de a\u00e7os longos especiais no mundo, \u00e9 um exemplo. O grupo alcan\u00e7ou a marca global de dois trilh\u00f5es de litros de \u00e1gua reaproveitados no ano passado. \u00c9 um volume que equivale ao abastecimento de um ano do estado de S\u00e3o Paulo, considerando-se um consumo m\u00e9dio por pessoa de 150 litros di\u00e1rios. A popula\u00e7\u00e3o do estado mais populoso do pa\u00eds \u00e9 de 41 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agroind\u00fastria \u00e9 disparado o maior sorvedouro de \u00e1gua doce do planeta. O uso irracional do recurso ajuda a alimentar a crise mundial de \u00e1gua Para produzir um quilo de carne, o consumo de \u00e1gua \u00e9 de 15 mil litros RIO &#8211; A cada segundo, 100 mil litros de \u00e1gua s\u00e3o consumidos pelo setor industrial brasileiro. S\u00f3 que \u00e9 o agroneg\u00f3cio, e n\u00e3o a ind\u00fastria, o maior sorvedouro de \u00e1gua doce do planeta. O setor consome 70% desse recurso, finito e vulner\u00e1vel. O restante \u00e9 utilizado pela ind\u00fastria (20%) e para o consumo humano (10%). 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