Esforços da Engenharia para conter o avanço do novo Coronavírus: Confira algumas iniciativas.

Esforços da Engenharia para conter o avanço do novo Coronavírus: Confira algumas iniciativas

Em tempo de pandemia do novo coronavírus (Covid-19), as mais diversas áreas que compõem o quadro das engenharias unem-se a outros setores profissionais, como a área da saúde e centros de pesquisas, para agir em comunhão na busca para conter maiores problemas causados por esse vírus no mundo. O Crea-PB trouxe algumas das iniciativas empreendidas na Paraíba, demonstrando a contribuição que a Engenharia, Agronomia e Geociências estão dando à sociedade para o enfrentamento da doença.

Imagem: Corona Borealis Studio/Shutterstock.com OPAS/OMS Brasil

No Estado da Paraíba, estudantes dos cursos de Engenharia têm somado esforços junto com algumas empresas do setor para desenvolver pesquisas e também colocar em prática projetos que visam a contenção da Covid-19.

  • TESTES RÁPIDOS CINCO VEZES MAIS BARATOS

No mês de Maio, pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) do departamento de química, lançaram o projeto “Desenvolvimento de testes point of care” para realizar a testagem rápida em pacientes com sintomas do novo coranavírus (COVID-19). O equipamento é um material portátil que utiliza sensores eletroquímicos. Esse instrumento já é utilizado em métodos semelhantes na identificação do câncer de tireoide, o que torna a testagem mais segura, além do resultado do exame não ser prolongado. O objetivo do projeto é viabilizar o aumento no número de testagens rápidas na população – assim como aconselha a Organização Mundial da Saúde-, uma vez que esse material, ao custo de R$ 50, chegará ao mercado com valor abaixo do comercializado atualmente, para que se torne acessível para todos, mas que, à princípio, tem em vista alcançar a parcela mais carente da sociedade.

Foto: Thilo Schmuelgen/Reuters

  • LABORATÓRIO DE ANÁLISES DE TESTES DA UFPB

O laboratório de Biologia Molecular do Centro de Ciências Médicas (CCM) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, inaugurou no mês de março, o primeiro laboratório destinado às análises de testes para o novo coronavírus, com capacidade para realizar a observação de até 100 amostras de testes da Covid-19 diariamente. O ambiente foi construído através de parcerias que contaram com a ajuda do segmento da construção civil do estado da Paraíba, que com os esforços dos profissionais da engenharia civil estruturaram o local que vai dar celeridade no processo de resultado dos testes da Sars-cov-2 no estado. Outro laboratório, o Laboratório de Endemias do Núcleo de Medicina Tropical do Centro de Ciências da Saúde (CCS) também será construído nesse mesmo convênio.

Foto: Divulgação UFPB

  • REESTRUTURAÇÃO DE ANTIGOS HOSPITAIS E ABERTURA DE NOVOS HOSPITAIS

A prefeitura Municipal de João Pessoa e o governo Estadual da Paraíba contam com os serviços essenciais prestados pelos profissionais das áreas das engenharias para reestruturar antigos hospitais e para erguer novos. O trabalho da engenharia é de suma importância no processo de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, uma vez que esse setor é o único que está envolvido em todas as etapas de combate ao vírus, a engenharia se faz presente desde a construção do piso de um hospital até a funcionalidade de um ventilador pulmonar.

A prefeitura de João Pessoa, reestruturou e entregou no dia 15 de maio, a unidade hospitalar Prontovida, que, de acordo com a prefeitura, vai passar a funcionar com um novo sistema de rede elétrica e hidráulica, instalação de dutos para gases hospitalares, reparo e reinstalação da climatização, além de pintura e retalhamento. Segundo a prefeitura, o hospital abrirá gradualmente e terá a capacidade máxima de até 114 novos leitos, sendo 32 da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Já o governo do Estado da Paraíba, também recorreu ao setor da construção civil para executar obras estruturais em hospitais de João pessoa e de Campina Grande. Na capital, de acordo com o site de comunicação do Governo Estadual, a engenheira e fiscal de obras, Sueine Caldas, informou que o Hospital Santa Paula passa por manutenção, como por exemplo, a revisão das cobertas, algumas demolições e adequação estrutural dos pavimentos. O hospital vai passar a contar com 120 novos leitos, para pacientes infectados com a COVID-19.

Em Campina Grande, o Governo Estadual fez intervenções no Hospital Dr. Francisco Brasileiro, uma unidade de atendimento hospitalar antiga e já sem funcionar há mais de 7 anos. Um trabalho minucioso para os engenheiros que devem fazer uma inspeção rigorosa da estrutura, tendo em vista que o imóvel é antigo e desativado, além de uma revisão elétrica e hidráulica do prédio, para atender o padrão do novo hospital. Ao término da obra, o novo hospital vai passar a contar com a instalação de 120 novos leitos de enfermaria.

De acordo com o que foi informado pelo sistema de comunicação do Governo do Estado, o Hospital de Trauma de Campina Grande, vai passar por obras de manutenção onde vai ser feita as seguintes modificações: serviços de polimento mecânico de piso em alta resistência, remoção de esquadria de alumínio e vidro, remoção/retirada de lavatórios, box, colocação de paredes com placas de gesso acartonado (drywall), revisão e recuperação do telhado com telha em fibrocimento ondulada, manutenção e limpeza de estrutura metálica, substituição de esquadrias/instalações hidrossanitários/serviços elétricos e instalações de combate a incêndio, limpeza e manutenção de calha em chapa de alumínio e pintura. Ao final das obras de reparo realizada no Hospital de Trauma de Campina Grande, serão oferecidos 60 novos leitos -30 desses para enfermaria e outros 30 para UTI.

Os profissionais seguiram as devidas orientações do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para que as obras pudessem acontecer. O trabalho dos engenheiros e dos técnicos é incansável para que as obras sejam entregues de acordo com os requisitos, de forma segura e no prazo estipulado, tendo em vista a importância dessas obras para salvar muitas vidas abatidas pelo novo coronavírus.

Foto: Secom-PB

  • PROTETORES FACIAIS

Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), um grupo pesquisadores do Laboratório de Fabricação Digital (Fablab), dentre eles, um estudante de engenharia elétrica, desenvolveram máscaras para combater à pandemia do novo coronavírus, com o objetivo de contribuir com a sociedade de forma que esses equipamentos de proteção individual (EPIs) sejam distribuídos nas instituições públicas de saúde, em especial ao Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa, mas também às demais instituições como a Secretaria Estadual de Saúde da Paraíba; o Laboratório do Hospital de Trauma; o Samu Regional de Cajazeiras; o Hospital Universitário Alcides Carneiro, em Campina Grande; a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Bayeux; e prefeituras. Foram distribuídos 2.360 protetores em um total de 24 municípios, até o mês de maio, quando o Laboratório de Fabricação Digital (Fablab) encerrou a produção desse tipo de máscara Face Shield, que isola boca, nariz e olhos, evitando o contado com gotículas de saliva.

Outro protetor facial foi desenvolvido na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), pelo engenheiro Rodolfo Castelo Branco, integrante do Núcleo de Tecnologias e Estratégias em Saúde (Nutes), que foi um dos responsáveis em desenvolver um protetor facial que passa a ser usado como protetor das máscaras N95, devido à falta dessa no mercado, ocasionado pela crescente procura. Esses protetores faciais são distribuídos aos profissionais da saúde, os quais lidam diretamente com pacientes da covid-19. O equipamento de proteção individual (EPI) é distribuído aos profissionais dos hospitais que preencherem cadastro junto ao Nutes. Além disso, o NUTES doou em 30 de abril, 25 protetores faciais para recém-nascidos ao Hospital da Polícia Militar General Edson Ramalho (HPMGER). O equipamento de proteção individual é utilizado em recém-nascidos em tratamento na UTI Neonatal.

Entrega de EPIs ao HU da capital. Foto: reprodução paraiba.com.br

  • PRODUÇÃO DE ÁLCOOL 70%

O sindicato de Agronomia da Paraíba (SINDESE-PB) em conjunto com a Secretaria do Estado de Saúde, doou, no mês de abril, mil litros de álcool 70% para o Hospital Universitário Lauro Wanderley, situado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, em parceria com as seis usinas de cana-de-açúcar associadas à entidade. A ação, além de ajudar no combate ao novo coronavírus, tende a reduzir o custo desse insumo no mercado Paraibano, que por conseguinte, o torna mais acessível. O projeto busca ofertar cerca de 31.460 litros de álcool 70%, para a utilização em limpeza e salubridade de superfícies, ambulâncias e matérias hospitalares, utilizado de acordo com as orientações.

A ação solidária do sindicato é fruto de uma parceria com a Secretaria de Estado da Saúde e envolve as seis usinas de cana-de-açúcar (Foto: Reprodução)

Quem também começou a produção de álcool 70% para doação foi o Laboratório de Sanitizantes do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Campus I, em João Pessoa, no mês de abril. O presidente da Ipefarm, professor Rui Macêdo, destacou que à ação tem por objetivo maior, atender ao Sistema Único de Saúde (SUS) nesse período de pandemia da COVID-19. A capacidade de produção da UFPB é de mil litros de álcool por dia. A produção de álcool etílico 70% com ação antimicrobiana depois de pronta, passará a ser distribuída aos hospitais; Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas da Paraíba (Empasa); instituições de caridade, entre outros, a fim de ajudar na proteção ao novo coronavírus (Covid-19).

Foto: Angélica Gouveia

  • RESPIRADOR DA UFPB

A Agência UFPB de Inovação Tecnológica (INOVA-UFPB) desenvolveu, em abril, um projeto de ventilador pulmonar 37 vezes mais barato que o atual encontrado no mercado. O equipamento orçado em R$ 400, tem um valor muito abaixo do preço de mercado, que chegam a custar em média cerca de R$ 15 mil reais. A objetivo dos inventores, é que esse aparelho possa ajudar os hospitais públicos de todo o país no combate ao coronavírus, com um produto de baixo custo que pode salvar a vida de pessoas em estado crítico causado pela COVID-19. O equipamento, além de ser operável em poucos minutos e ter uma montagem rápida, não é um respirador apenas de emergência, o que torna seu uso viável indefinidamente, como também pode substituir os modelos convencionais.

Outra novidade do respirador é que ele faz uso da tecnologia touch screen, pode ser equipado com sistema multibiométrico e capaz de ter conectividade wireless. Seu acompanhamento pode se dar através de acesso remoto em tempo real através de aplicativo em smartphones.

O aparelho tem licença liberada para ser produzido por empresas, para isso, segundo a Inova UFPB, para produzir e vender o respirador pulmonar, as empresas precisam ter autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). O aparelho ainda precisará passar por testes pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Projeto de respirador criado pela Universidade Federal da Paraíba — Foto: UFPB/Divulgação

  • APLICATIVO AUXILIA DIAGNÓSTICO

 

O Instituto Federal da Paraíba (IFPB) lançou edital, no mês de abril, para projetos de pesquisa que visam atenuar as complicações causadas pelo contexto da pandemia do coronavírus (COVID-19). Dentre os projetos apresentados, o que chamou atenção foi o do professor de Engenharia Elétrica Danilo Régis.

A proposta de Danilo, em unidade com estudantes de Engenharia Elétrica, é desenvolver um sistema de aplicativo para smartphones, onde médicos e técnicos em radiologia, possam submeter dados clínicos e imagens de Raio-X de pacientes internados com COVID-19. O aplicativo faz a análise da imagens e identifica possíveis danos causados aos pulmões do paciente. A proposta une as mais diversas áreas das engenharias, além de atuar em conjunto com a saúde e a ciência. Régis destacou a importância da interdisciplinaridade entre as áreas do campo da ciência para que se possa realizar mais em prol da sociedade.

(Foto : Divulgação)

  • CAPACETE DE VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA

Pesquisadores do Laboratório de Fabricação Digital (FabLab) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no Centro de Energias Alternativas e Renováveis (Cear), campus I, em João Pessoa, desenvolveram um capacete com ventilação não invasiva para pacientes em estado grave devido à infecção pelo novo coronavírus (Covid-19).

O projeto tem por finalidade conter a disseminação do vírus dentro dos hospitais, uma vez que os aparelhos de ventilação pulmonar utilizam a intubação orotraqueal, que, de acordo com os pesquisadores, pode propagar o vírus no ambiente com maior facilidade.

O capacete de ventilação não invasiva (VNI), pode ser utilizado em pacientes com debilitações respiratórias menos graves e que estejam lúcidos, fato que contribui na ocupação de leitos de UTI por pacientes em estado crítico de saúde.

De acordo com o Portal Correio, já houve o teste desse protótipo que aconteceu uma primeira vez em 13 de abril, em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário Lauro Wanderely e uma segunda vez no dia 22 de abril, no Hospital Alberto Urquiza Wanderley, Unimed, em João Pessoa.

O projeto foi submetido em 29 de abril, ao comitê de ética do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) da UFPB e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Pesquisadores da UFPB desenvolvem capacete com ventilação para casos graves de covid-19.

  • BIOESTERELIZADOR DA UFCG

O Laboratório de Referência em Dessalinização (Labdes) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) desenvolveu um sistema inovador que visa à esterilização de ambientes e de pessoas no combate ao coronavírus (COVID-19).

O professor Kepler França, desenvolveu um aparelho bioesterelizador, que utiliza substâncias químicas e soluções aquosas, que, segundo ele, são capazes de quebrar a camada de lipídios, que envolvem e protegem o coronavírus. Dessa forma, uma pessoa que passa por esse bioesterelizador, fica desinfectada do vírus devido à solução esterilizadora dos agentes químicos.

A instalação e operacionalização do equipamento é de custo relativamente baixo, segundo o pesquisador Kepler França, em virtude do grande benefício que esse aparelho proporciona. Já existe em Campina Grande, um hospital interessado no projeto.

O sistema tem como princípio ser utilizado em hospitais, já que esses locais são os de maiores contaminação e proliferação da SARS-COV-19, tendo em vista que 12% das mortes causadas por esse vírus são de profissionais da saúde.

UFCG desenvolve Bioesterilizador para combater o coronavírus.

O projeto busca por parcerias, para que possa ser manejado com o auxílio da aérea tecnológica, como a criação de um banco de dados e desenvolvimento de software, que pode agregar ao projeto do bioesterilizador dentro dos hospitais, para que possa ser operado em âmbito nacional.

 

*Raniery Monteiro (Estagiário da Assessoria de Comunicação do Crea-PB sob a supervisão da Jorn. Grazielle Uchôa)