Pesquisas na UFPB estudam durabilidade do concreto em solos rochosos

 

Pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Materiais e Estruturas (Labeme) do Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) estudam a durabilidade do concreto massa e a interação desse material com o solo rochoso em vários partes do Nordeste, propensos à construção de barragens e grandes estruturas (mineradoras e fundação de torres de transmissão).

Um dos responsáveis pelo Labeme e orientador de diversas pesquisas na área, o professor Sandro Marden explica que no local são realizadas análises do desempenho dos concretos e o efeito dos componentes desse material, considerando as características químicas. “Existem fenômenos que acontecem porque a matriz cimentícia interage com a rocha, gerando fenômenos expansivos que causam, por exemplo, rupturas, fissuração excessiva”, explica o pesquisador, que é PhD em estudos na área de materiais cimentícios e cerâmicos.

Ele disse ainda que esse tipo de análise da interação dos materiais com as rochas é importante para a prevenção de problemas que possam acontecer em obras de grande porte, como barragens. “Se você tem uma estrutura que foi feita para ser impermeabilizada e, de repente, aparece com fissuras, ela vai gerar percolação de fluídos, como infiltrações, que você não gostaria”, alertou.

Para analisar a qualidade e resistência das rochas existentes em algumas áreas do Nordeste, a equipe do Labeme coletou amostras de rochas em várias mineradoras da região, localizadas no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba. “Pretendemos fazer um estudo de todo o Nordeste para ver a sustentabilidade dessas rochas interagirem positivamente ou negativamente com a composição química dos cimentos”, destacou o pesquisador.

Reaproveitamento

Outras pesquisas realizadas no Labeme estão relacionadas ao reaproveitamento de resíduos provenientes dos processos para a fabricação do cimento e cerâmica. Além desse tipo de materiais, há uma pesquisa que estuda a utilização das cinzas resultantes da queima do bagaço de cana de açúcar para a produção de novos cimentos.

“A resistência desse material das cinzas é bastante elevada com aplicações para o desenvolvimento de superfícies resistente a fogo, através da cinza do bagaço ativada quimicamente com outros materiais. Isso é um estímulo para que os empreendedores vejam os potenciais de uso desse materiais residuais e usem o acervo intelectual e científico da universidade para desenvolver seus negócios” lembrou Sandro Marden.

Fonte: Revista Edificar (Katiana Ramos)