Tecnologia brasileira associa nanotecnologia e sustentabilidade

A manipulação da matéria em escala atômica está cada vez mais presente na vida das pessoas e é conhecida como nanotecnologia. Tal nome surgiu da escala de medida nanômetro e ainda é relativamente recente.

Mas, a novidade é a descoberta do físico brasileiro Joner de Oliveira Alves que, em sua tese de doutorado, uniu nanotecnologia e sustentabilidade, conseguindo transformar gases poluentes em nanotubos de carbono.  Tais nanotubos consistem em átomos de carbono arranjados e são estruturas cuja aplicação depende do procedimento utilizado e das propriedades do material, ou seja, a aplicação varia conforme o arranjo dos átomos. Normalmente é utilizado como reforço em materiais poliméricos e cerâmicos e possui diversas outras aplicações, como eletroeletrônicos e tecnologias diversas.

 

Em laboratório foram realizados testes com quatro tipos de resíduos. Primeiramente, os resíduos são aproveitados para gerar energia e os gases resultantes são transformados em nanotubos. O procedimento consiste em incinerar os resíduos em um forno e filtrar, resultando apenas em gases. Depois, um catalisador é responsável por quebrar os hidrocarbonetos dos gases em carbonos e hidrogênios. O carbono fica retido em forma sólida, onde são encontrados os nanotubos, e o hidrogênio é liberado na atmosfera.

Entre os gases testados, o que apresentou melhor resultado foi o proveniente da queima do bagaço de cana, gerando mais nanotubos e com maior pureza. A técnica é importante porque, além de não poluente, diminui a acumulação desses resíduos em lixões.

Embora com ampla utilização, os nanotubos de carbono não são produzidos em larga escala no Brasil, mas a técnica de Alves pode mudar essa situação e, ainda, reduzir o valor dessa tecnologia. Desenvolvida na modalidade sanduíche na USP e na Northeastern University, em Boston, a tese já recebeu vários prêmios ligados à sustentabilidade e ao tratamento de resíduos.

Fonte: Exame